Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

A CASA VELHA

Se soubesse que te iria encontrar não teria nunca entrado. Logo ali,no teu território. Nem morto.
Está calor ou é por estares perto de mim?
Ouvi a tua voz e fiquei gelado. Trinta e dois graus à sombra e eu gelado. Comprometedoramente só,tu rodeada de amigos. Ainda tentei aparentar calma e perguntar o que fazias ali.
Estou a celebrar.
Então o quê?
Tu teres chegado.
Cabra. Só não fugi por cobardia. Sentei-me na mesa do canto a escolher o jantar e a vingança. Lembrei-me então de uma frase emprestada que gostavas de repetir: "O pior sofrimento é um olhar vosso desprovido de desejo".
Era a vingança perfeita oferecida por ti. Como tive medo que o desejo me traísse, decidi ir mais longe e ignorar-te totalmente.
Estava eu nessa alegre ignorância quando o criado de mesa me entregou o teu bilhete dobrado em quatro. Levantei os olhos e vi-te de costas, já de saída. Um segundo depois pude ler:
Casa Velha, 3 de Julho. O pátio central, as buganvílias, a fonte, as lanternas acesas e os tons verde claro. Eu na mesa do meio,tu na mesa do canto. Não olhaste para mim, nunca me perdeste de vista. Obrigada.
Fiquei a tremer de medo. A vida contigo é uma emboscada.


publicado por TOZÉ BRITO às 16:08
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